 |



|
Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, TERESOPOLIS, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, e olhe lá!!!
|
Histórico
Categorias
Todas as mensagens
INFÂNCIA E JUVENTUDE
EU E OS MEUS
POESIA, ARTE E CIA
POLÍTICA E ATUALIDADES
DEUS, O MUNDO É TEU ALTAR
Outros sites
ASSIM CAMINHA A INSENSATEZ - sobre o livro de Denilson que combate a Marcha da Maconha
DENILSON - POESIA e artes plásticas
DENILSON - POESIA - 'amostra grátis'
DENILSON - ARTIGOS SOBRE ECA e cia
Blog da MARIANA ("maníaca das entrelinhas")
DIGA NÃO à erotização infantil
DIGA NÃO ao bullying
ESCOLA DA PAZ - Teresópolis (ORKUT)
PALESTRA MAIORIDADE PENAL
VARA DA INFÂNCIA DA JUVENTUDE E DO IDOSO - TERESÓPOLIS (RJ)
|
 |
 |
|
|
| |
A MOLECADA DA BATISTA CENTRAL

A convite do Pr. Josué, passei a manhã de hoje com uma molecada bacana lá da Igreja Batista Central. Eles faziam uma espécie de retiro, num sítio ali no meio da serrinha pra Guapi. Num frio danado de bonito, no meio de sólidas árvores, limpas águas correntes, terra cheirando manhãs, a gente conversou muito sobre os dramas do jovem cristão.
Num mundo que desaba, a mídia invade até santuários sagrados. Muitos adolescentes ficam desancorados no meio disso, empurrados daqui prali por ventos de modismos, igrejas afrouxadas, e cultos (ou missas) mais aeróbicos que consagrados. Lá no fundo, uma pontinha de dúvida, um comichão de fé, uma consciência que pesa, mas o maremoto da hora acaba arrastando intenções à vala da comum omissão. Igrejas viram clubes de sociabilidade ou abrigos de aparar tempestades. Lugar pra caçar namorados, que escassos são. Quando muito, refeitórios, pousadas pra revigorar a semana.
Mas, não posso criticar igrejas. Já o fiz muito. Aprendi que Deus faz sua obra com o que surge. Que nem nutricionista que ensina a fazer farofa de casca de banana, molho de casca de cebola, essas coisas... Deus usa o que tem. Frutas da estação, saca? Garrafa pet, entende? Se é um profeta gago, em dobro ele profetizará. Se são pedras, são pedras. Ele as faz cantar. Se são igrejas que racham, que rachem, Ele as tornará sementes. Algo de bom, em algum lugar nascerá. Mas é ruim quando a perda chega, a grande igreja se esfacela. Parece que os que ficaram só tem uns cacos, impossíveis de colar. Conselho de amigo: Quebra tudo, produz farinha, faz uma massa e recomeça do zero. O que foi, foi. Belo é o amanhã que virá. Reciclar, é a melhor ordem. Chorar no ombro dos ontens não ajuda o amanhã.
Pois, com esse espírito é que conversei com aqueles adolescentes bacanas, daquele meu jeito meio estropiado, obrigando todo mundo a cantar, eles com um frio e um sono danado e eu lá, esticando conversa. Ah, é frio, não tem problema, vamos pro sol!!! E terminamos a conversa debaixo do sol bonito que se esgueirava no frio. Aí, choveram sorrisos.
Falamos de grandes exemplos. Rosa Parks, Luther King, o profeta Daniel, José do Egito. Falamos dos sonhos que devemos cultivar, viver, produzir. Falamos que é possível não ser arrastado pros bueiros da droga, do sexo, da vida vazia, do consumismo fútil, como a mídia e a sociedade omissa fazem com a maioria desavisada.
Depois eles iam comer um feijão bacana, mas eu tive que vir embora. Mas valeu muito, molecada. Que Deus abençoe vocês!!! Vocês tem no corpo a juventude, no coração a mensagem, na cabeça a intenção... Hora da batalha, amigos. Como disse o Apóstolo João: "Jovens, escrevi pra vocês, porque vcs são fortes!!!"
Categoria: DEUS, O MUNDO É TEU ALTAR
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 20h14
[]
[envie esta mensagem]
[link]
MISS FÓSFORO
Para Adriana Elias

Tenho uma amiga que está triste.
Na vida, acontece, por vezes, tristeza. É como a hora em que a noite é mais profunda. Ela equilibra o meio-dia. Ninguém consegue viver sempre assim, meio-dia. Mas pela mesma razão, ninguém pode se estender em meias-noites. A vida é equilíbrio. Temos que amanhecer, florescer nossos sóis, os melhores que encontrarmos em nós, porque o dia precisa de nossa energia pra atravessar as fronteiras do tempo. Há trens que se movimentam por nossa energia. Pessoas cujo vigor vem da eletricidade de nossos corpos a postos, irradiando sentimento e bondades. Claro que seremos crepúsculo, às vezes, teremos revoadas de boca da noite, mas não podemos ser meia-noite pra sempre.
Eu sei que, às vezes, é confortável, a meia-noite, né? Dá uma vontade de botar um disco triste do Renato Russo e ficar ali, naquela caverninha quieta, um escurinho onde ninguém incomoda... tipo o Profeta Elias depois da violenta batalha contra os profetas de Baal. Ali, em I Reis, 19, naquele medinho que é um descanso torto, o guerreiro de Deus cansado de batalhas, querendo ser meia-noite. Oh, Pai, eu me dôo tanto.... Meus ossos doem, minha cabeça treme, meu coração está oco, estou meio esvaziado de mim... Me deixa aqui, na caverna, Pai, me deixa...
Mas, engraçado, é que Deus chama Elias pra fora da caverna pra falar com ele. Deus não admite prosear com enterrados, afinal. Nem com mumificados também. Por isso, Jesus grita a Lázaro, esse mesmo, até agorinha defunto: "Sai para fora!". Deus gosta de luz acesa. Podia entrar e entupir as cavernas de luz. Mas procede o entendimento: seres de caverna continuarão seres de caverna, se a luz for até eles. Apenas, enxergarão melhor, mas sempre dentro da caverna, ora bolas! Além disso, a luz que mergulha em caverna se furta a aquecer o dia de tantos que trafegam nos vales e campinas da vida, movendo a máquina do mundo. O ser de caverna precisa abandonar a caverna...
E a tristeza é mesmo, uma tentadora caverna. Só que enquanto lá estamos, há plantas que precisaríamos regar, que vão definhar, há livros que nos aguardam, ansiosos, escritos só pra nós, pra preencher um lado do nosso coração e que morrerão em traças, com sina descumprida. Há crianças nos esperando porque há um afago que é da nossa exclusiva e predestinada mão que deveria partir... Há poemas a escrever com palavras que só nós carregamos. Paredes a derrubar, pontes a construir, uma choupana de barro que nos espera pra de branco caiar-se...
Tristeza é uma poltrona funda, cheia de almofadas de justificativas e afagos ao próprio ego doído e machucado. Quando menos percebemos, aquela cadeira vai nos agarrando, entranhando-se em nossos poros, nos engolindo, amassando, aprisionando, transformando-se numa grande mão silenciosa e cruel que não mais nos larga e à qual a gente se acomoda. Podemos até levantar, mas a cadeira estará nos envolvendo, como uma gosma viva, um fardo, um peso, uma roupa feia, um alienígina que nos suga. E a gente, ali, andando torto, andando pesado, seres-cadeira.
Pois bem, resolvi tentar alegrar o coração dessa minha amiga, e postei no meu blog um vídeo sobre uma cena maravilhosa de um filme médio do John Boorman, com o John Voight, Deliverance. E coloquei o seguinte comentário:
"O retardado mental que era um gênio da música. Esta cena imortal do cinema ensina que as pérolas podem estar no improvável. Não devemos desprezar ninguém. Todos temos um toque de divindade. Cabe a cada um acendê-lo no outro. Cabe a cada um ser o fósforo que ajuda a fazer a lamparina calada ecoar seu brilho." (Denilson Cardoso de Araújo)
É uma cena linda, em que o garoto, que ninguém dava nada por ele, retardado, desprezado, lixo humano, de repente, descobre-se: tinha música, e música graúda, de boa saúde, dentro dele! Mas essa chama só aconteceu porque alguém apertou a corda certa do violão que tocava sua alma. Quantos por aí, esperam que façamos o mesmo?
Daí, na sequência, escrevi pra essa amiga e avisei da postagem, chamando-a de "Miss Fósforo" e cobrando responsas!!! rsrsrs. Ela riu muito e tal e coisa. Então postei de volta o que segue:
"Vai dando teu jeito aí... Pois se é miss, tem que circular essa estampa, que já bem saquei teus amigos reclamando... e se fósforo é, tem que sair por aí acendendo as coisas... Solta essa Xiquinha, moça!!! Aliás, tristezura dá samba, cê sabe, e dá blues, também. De um, sai carnaval e de outro sai rock. E de ambos, resultam formas de alegria. Se tristeza persiste, pega ela, corta com uma faca e faz um castelo... rsrsrs... beijos."
Que todos possamos fazer o mesmo quando a tristeza chegar. Fácil não é. Mas o necessário, é o necessário. Não se deve aceitar naufrágios.
Prá quem quiser, aqui está a cena: http://www.youtube.com/watch?v=Uzae_SqbmDE
Categoria: POESIA, ARTE E CIA
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 19h04
[]
[envie esta mensagem]
[link]
MORTA POR UM DEVER DE CASA
A FILHA DE ERNA RIVERA MORREU
PORQUE NÃO FEZ O DEVER DE CASA
Deu na REUTERS - 22/07/2008 - 14h48
"Chilena mata filha por dever de casa, diz polícia
Monica Vargas Em Santiago
"Uma mulher chilena bateu em sua filha até a morte depois que ela se recusou a fazer o dever de casa, disse a polícia nesta terça-feira. Erna Rivera, de 26 anos, admitiu ter perdido a paciência na segunda-feira após a filha de 9 anos se recusar a ler um livro que os professores haviam pedido como uma tarefa de férias. Ela chutou e bateu na filha em sua casa em Santiago, afirmou a polícia.
A menina morreu pouco depois -- na véspera de seu aniversário de 10 anos. Rivera foi acusada de assassinato. "Ela admite ter batido na garota, ter chutado, socado e a ter jogado contra os móveis da casa", disse Maurício Lara, da divisão de homicídios da polícia. "A menina teve traumatismo, quis vomitar e desmaiou. A própria mãe levou a filha a um centro médico próximo, e ali a menina sofreu uma parada cardiorrespiratória. Tentaram ressuscitá-la, mas ela morreu."
Essa notícia cruel está no centro da contradição que enfrentamos hoje, na questão dos direitos infanto-juvenis. Necessário dar limites, exigir obrigações x necessário respeitar os direitos da criança. O equilíbrio é a solução. O ECA veio, como tenho dito, pra manter crianças vivas! Pais matavam crianças, no físico, ou como diz Erasmo de Rotterdam, no espírito. Matavam por ausência de zelo ou por excesso de desvelo. Policiais matavam crianças de rua. O Estado matava de precariedade crianças pobres. Ainda se matam crianças com mesma forma e agentes... infelizmente.
O ECA vem dizer, biblicamente: Não matarás!!!!!!
Criança merece vida. Criança merece carinho, colo, leite morno, família. E educação, escola, professor atento e ouvinte. Merece posto de saúde limpo, com médico e atendimento HOJE, que é quando chega a doença e não daqui a dois meses, quando ela já deitou seus estragos.
Criança merece vida. Merece lazer, carrinho, bola, brinquedo, capoeira, circo, balé e pique-esconde. Mas não merece fantasia de dançarina funk aos 05 anos, nem maquiagem de bebel do calçadão, nem repetir o dançar sensual, a dança do acasalamento dançada do jeito mais torpe porque dançada por quem não pode acasalar, mas assim mesmo, inocente, desejos despertará.
Criança merece vida. Merece exercício, vôlei, piscina, futebol, ginástica olímpica, a nobreza da arte marcial digna, Mas não merece vale-tudo, caça a troféus, pais-atletas frustrados, gente despreparada ensinando o que não sabe em academias ou nas ruas, entortando esqueletos sem conserto.
Criança merece vida. Criança merece inclusão digital, ir a um museu em Londres, pela Internet, sobrevoar a floresta amazônica no Google Earth, jogar um jogo bacana com um indiano, desenhar uns bichos da Austrália. Mas não merece ser invadida por aliciadores pedófilos, não merece ver cenas nojentas que estragarão sua psique, que é a esta altura, aquele terreno recém- adubado, sumarento, como terra ainda agarrando as sementes. Criança agarra sementes. Garantamos que sejam boas as sementes, não transgênicas, higiênicas.
Criança merece vida. Isto, veio o ECA dizer.
E daí, muitos pais confundiram, muita gente se envolveu no turbilhão do neo-liberal mercado nascente, com o ECA coincidente, que queria crianças mandonas, pidonas, fábricas de consumir ou fazer consumir e achou que criança podia tudo. Não, criança não pode tudo.
Criança tem que estudar, obedecer, aprender a dor de não ter o presente que gostaria, a ansiedade de esperar um brinquedo o ano inteiro. Como antigamente. Crianças não nasceram pra realizar nossos sonhos e "ter tudo o que não pudemos ter". Crianças terão seus próprios sonhos e por mais que lhes dermos coisas, amanhã se queixarão do que não tiveram. Porque esta é a questão. Não se pode ter tudo. Sempre algo nos falta. O consumismo é um poço sem fundo. A busca da beleza fútil do silicone, da tintura, da maquiagem, é um poço sem fundo. Sempre há mais. Desejos artificiais que nos são impostos. Quanto mais cedo se aprende a lidar com essa realidade - de que não se pode, não se deve!, ter tudo - mais serenos seremos, na vida real. Estragaremos menos o mundo. A falta real é sempre imaterial. Não é uma coisa. É uma alma. E esta não se compra na Casa & Vídeo.
Criança merece viver. E pagar o preço deste prazer. Ralar o nariz na terra e descobrir que há minhocas. Cair e ralar o joelho, pra descobrir mais cuidado. Bater na quina pra saber esquivar da quina em outra vez.
Criança merece viver. Para isso precisa de quem ensine a fazer o que é certo. Precisa de pais que não achem que inseminar como um macho ou parir como fêmea é realizar a sua função completa na vida. Inseminar e parir é nada. Há que inseminar de bem dia a dia os coraçõezinhos e mentes das crianças, com os corretos conselhos, com os hinos mais belos, com as orações mais sinceras, com os limites, os limites, os limites, os limites, os limites mais necessários. Há que parir toda hora na criança de hoje o adulto de amanhã, em cada modo de agir e falar com a criança, que nos repetirá.
Criança merece viver. Tem que ir à escola. Tem que fazer o dever de casa, sim! Essencial, o dever de casa. Raiz de futuro, o dever de casa. Porque estudo, na verdade, se faz, é em casa. A escola é só uma espécie de mapa que indica caminhos. Toda mãe tem que exigir o dever de casa.
Mas criança, merece viver viver viver viver viver !!!! Ninguém tem o direito de matar por causa de um dever de casa. Porque criança não merece sequer o grito, o beliscão, a carranca de ódio, o tapa covarde, a parede socada. Autoridade não é o espancamento. Não é você se transfigurar num Hitler, num Idi Amim, num Predador, um monstro sanguinário, de fúria incontida. Autoridade é ser Gandhi, Madre Teresa, Luther King, aquele que comanda com voz mansa, mas firme. O leão sereno de Nárnia. Aquele que quando fala, todo mundo ouve, porque sabe que “Aí vem verdade e boas palavras”.
Criança merece viver.
Criança tem que fazer o dever de casa.
Ignorância, falta de equilíbrio, insanidade, crime cruel, deixar a criança sem o limite e o aprendizado do dever de casa!
Ignorância, falta de equilíbrio, insanidade, crime cruel e imperdoável, achar que pode dar os limites violentando a integridade física ou psicológica da criança!!!
A filha de Erna Rivera, ainda que sobrevivesse, teria morrido por dentro.
Criança merece viver. Pra descobrir que fazer o dever de casa é, na verdade, um prazer. Não se arranca as plantas da terra, depois de plantar a semente. Da terra, elas, simplesmente, nascem. Na hora em que a natureza escolhe. A gente só rega, só cerca o canteiro, estica um arame, disciplina a direção da planta. A gente só espera. A planta é que cresce. Ninguém espanca uma planta. Apenas lhe orienta o crescer. Fazer o dever de casa é isso, criança: rega, poda, cerca de canteiro. Daí, vem a planta, bonita, nascer.
A filha de Erna Rivera merecia viver. A filha de Erna Rivera precisava fazer o dever de casa. Não aquele. Muitos deveres de casa. Muitos canteiros. Tanta flor, meu Deus.... Agora não tem dever de casa, nem filha de Erna Rivera. E, a coisa mais triste e pérfida do mundo, resta uma mãe assassina.
Que este momento nos lembre de nossas obrigações. Que não matemos de nossos filhos, nem os corpos por maus-tratos, nem o espírito com valores ausentes, nem a psique com desprezo ou destrato, nem a moral com sexismo barato... que não matemos nossos filhos!
Criança merece viver.
Categoria: INFÂNCIA E JUVENTUDE
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 19h31
[]
[envie esta mensagem]
[link]
SUTILEZAS
Mariana (a maníaca das entrelinhas) colocou no seu blog esta foto minha (que está no meu orkut).
Aí deu vontade de fazer esse poeminha rápido pra ela.. Um beijo, querida. A vida é mais simples do que parece.

SUTILEZAS
Para Mariana
O tomate dorme
seu sangue
na pedra.
A pedra morde
com sua boca de greta
o tomate.
O sol derrama nos dois
sua sorte.
Há pérolas,
no coração do tomate.
Há grãos,
na crosta da fronte
da pedra.
Há letras,
que se unem
pra fazer no seu cerne,
um tomate.
Um lânguido C
que engancha sua boca
no dorso de um D.
Mas tudo, assim,
só tão luz-do-dia
porque, sobre as coisas,
preciso, obrou antes
o inciso fio da faca.
Só assim é
que a gente descobre
que há um leito onde é rio.
Só assim é
que abaixo da crosta
a gente algo sabe.
Assim é que sobe
a alma da gente
do chão do comum.
Assim é que se vê
que o comum,
é o milagre.
Tem que
descascar as coisas,
os tomates, os sóis e as pedras,
pra enxergar suas pérolas,
grãos, e o algodão
do miolo.
Pra descobrir o quanto,
em alfabetos gentis,
as coisas tanto
se encaixam.
Assim Deus as quis.
A gente é que, de tonteira,
as estraga.
Categoria: POESIA, ARTE E CIA
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 14h56
[]
[envie esta mensagem]
[link]
MEU PAI FAZ 80!!!

Neste ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, comemoramos D. João VI ter-nos feito Capital da Jangada de Pedra há 200 lustros.
Mandela conta 90 anos de luta, dignidade e exemplo (Salve, Madiba!)
A Declaração dos Direitos Humanos contabiliza 60 anos de desrespeito.
O ECA atinge a maioridade com todas as suas atrofias e nanismos.
Sopram-se velas, também, para o evento que nos inaugura como nação frente ao mundo: o surgimento de Pelé há 50 anos, na Copa da Suécia.
Machado morria há 100 anos, levando todas aquelas belas letras e traduções da alma que ainda tinha por escrever.
***
Mas o que importa neste ano é que meus pais somarão seus 80 anos. Amanhã é meu pai, mais pra frente, minha mãe.
Dinizar de Araújo, o homem simples, que saiu do interior de Sapucaia, numa família de 14 pessoas, filho de agricultor. Criança ainda, teve que ajudar a família com seus biscates de limpador de roçado (arrancando socas de bambu aos sete anos). Terminou tarde os estudos, porque os interrompia para labutar, ora em balcões do comércio, ora em ofícios de auxiliar de garçom, motorista de caminhão, negociante de verduras e frutas, o que aparecesse.
Destacou-se onde passou, como líder, orador e batalhador incansável. Conseguiu 03 diplomas universitários. Foi vereador e Secretário de Educação do Município de Petrópolis, a terra que o adotou e foi adotada por ele. Fundou 02 colégios estaduais importantes (O CENIP, em Petrópolis e o Barão de Mauá, em Caxias). Ganhou títulos, e honrarias. Publicou livros. Plantou suas árvores, que a roça nunca o abandonou. Trabalha até hoje. Advoga. Escreve. Ensina. Dá exemplo.
Com minha mãe, fez um casal humilde, desses que são príncipes e não sabem, casal da mais alta estirpe na nobreza humana de melhor linhagem de dignidade e afetos. Sempre abriram a casa a amigos, parentes, chegados, necessitados. Nos ensinaram a repartir, nos ensinaram fé e trabalho. Nos ensinaram culto doméstico.
Meu pai foi quem primeiro me emocionou quando tateava letras, datilografando meu primeiro poema e trazendo-o encadernado. Hoje, nós, filhos, publicaremos um livro com seus textos. É pouco pra quem deu tanto. Mas ele não quer grandes festas. Então, em família, amanhã, almoçaremos a comida especial, que é de lei, mas caseira, que é de regra, falaremos do Flamengo e dos rumos do Brasil e ouviremos as saborosas histórias desse sobrevivente que nos inspira. Pessoas dignas hoje escasseiam. Por isso, somos uma família abençoada, com a presença da dignidade entre nós.
Categoria: EU E OS MEUS
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 07h30
[]
[envie esta mensagem]
[link]
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|
| |
|
 |
|